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- XANA ABREU
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Criação e design: Miguel Leitão

Gestão website: David Alves

Textos de José Luís Peixoto, Vasco Sacramento, David Alves e Xana Abreu

Todos os direitos reservados.

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ARTIST

XANA ABREU

"Sou criança-mulher, apaixonada por diferentes vertentes artísticas e inspirada pelas viagens, pessoas, lugares e sonhos." 

"I am a child-woman, passionate about different artistic trends and inspired by travel, people, places and dreams."

Vasco Sacramento
CEO Sons Em Trânsito

“Xana Abreu é uma artista para as próximas décadas.

O sucesso e o génio são evidentes."

"Xana Abreu is an artist for the coming decades. Success and genius are evident."

Serie

PELOS OLHOS DELA

Pelos olhos dela... pelos meus olhos... pelos olhos de quem vê as telas... Um título ambíguo que convida a uma leitura e interpretação pessoal. Vemos a tela e seus personagens ou são eles que nos vêem?

  

 

Through her eyes... trough my eyes... trough your eyes...

An ambiguous title that invites to a personal reflexion. Am I seeing the canvas or is it looking at me? 

Cláudia Ferreira
Fisionomista da arte

“Cada letra, cada folha de árvore, cada asa de bicho, cada cornucópia, cada signo que desenha na pele das mulheres que fixa com acrílico nas suas telas é também, e só poderia ser, um convite irrecusável para penetrar no inconsciente: o dela, o da imagem e o nosso.

A pele, como se sabe, é o que de mais profundo existe..."

"

"Each letter, each tree leaf, each bug wing, each cornucopia, each sign she draws on the skin of women she paints with acrylic on her canvases is also, and could only be, an undeniable invitation to penetrate the unconscious: hers, the one of the image and ours.

The skin, as we all know, is the deepest thing there is..."

Tudo o que somos capazes de sonhar

Texto de José Luís Peixoto sobre a pintura de Xana Abreu

Ainda ao longe, explodem as cores. São janelas para um incêndio, como é belo o fogo, como atrai e ilumina. Ao aproximarmo-nos, as personagens de cada quadro tornam-se concretas, reconhecemos os elementos imediatos, são maiores do que nós ou são do nosso tamanho. Ainda mais perto ainda, continuando, distinguimos novas camadas, detalhes dentro de detalhes. Então, porque nos inclinámos ou porque esse mundo nos puxa, podemos cair no seu interior. Somos Alices, caímos infinitamente num país das maravilhas.

Nesse livro, em conversa com o Chapeleiro, Alice afirma que os sonhos não são realidade. Na lógica incontestável da sua loucura, o Chapeleiro responde-lhe com uma pergunta: e quem decidiu o que é o quê? Ou seja, quem decidiu o que é sonho e o que é realidade? Os quadros de Xana Abreu colocam-nos essa mesma questão. Povoados de animais humanizados ou de humanos animalescos, sugerem-nos histórias. Essas narrativas não são óbvias, requerem uma lógica que transcenda o superficial. A mesma fantasia que dá forma a essas figuras é necessária para interpretar as situações em que as encontramos. Esse desprendimento das leis físicas e naturais é a liberdade do sonho.

Absolutamente livres e abundantes de sonhos são as crianças. Não faltam marcas dessa presença. O homem e a mulher feitos apenas com riscos e um círculo no lugar das cabeças, ou a pequena casa geométrica, de porta e janelas abertas, são reminiscências dos primeiros desenhos que todos fizemos, como se tivesse passado uma menina por ali a fazê-los. As personagens que compõem os quadros parecem saídas de contos infantis. Com boa vontade, poderiam traçar-se ligações diretas a contos bem conhecidas.

E o que dizer dos olhos das personagens centrais de cada quadro? São olhos enormes de criança, seguem-nos. Quando pensávamos que éramos nós que vínhamos vê-los, são eles que nos fixam, não nos deixam, não se cansam de avaliar-nos. Os quadros parecem ser uma espécie de rosto completo desses olhos. Os elementos flutuam à sua volta, cobrem a sua superfície, interagem com eles, espetam-lhes dedos.

A leitura que podemos fazer é bastante ampla. Disse-nos Freud que os sonhos são expressões do subconsciente. Assim, há uma ponte que liga essas imagens irreais ao real, há um caminho simbólico. Se olharmos diretamente para os olhos presentes nestes quadros, o realismo com que são desenhados, contrastante com a fantasia de tudo o resto, parece abrir também um caminho, uma ligação entre aqui e lá. Talvez por isso, o autorretrato com Lou Reed, que canta Walk on the Wild Side, mas que também canta Perfect Day. 

Pelos olhos dela ou pelos meus olhos? A leitura não perde ambiguidade até quando encontramos palavras escritas no próprio quadro. Uma das questões curiosas desses textos breves é o uso da terceira e da primeira pessoa do singular, deixando a dúvida: ela ou eu? E também os segredos e os códigos das crianças, que piscam os olhos, ainda os olhos. Ou que perguntam ladainhas ao tempo, trava-línguas que nos sugerem essa dimensão: se há um lugar, habitado por todo este elenco de criaturas, qual é o tempo deste mundo? Quais as histórias que antecedem os episódios que testemunhamos? O que acontecerá depois? Esta é a pergunta que as crianças sempre fazem quando escutam contos. O passado e o futuro são certezas que garantem a vida e a viabilidade de um universo.

A pintura de Xana Abreu é um universo coerente. Podemos viajar nele, visitar os seus planetas, contemplar os seus arco-íris, ser iluminados pela claridade das suas constelações. Durante essa travessia, encontramos um espaço à nossa medida, que precisa da nossa atenção, sensibilidade e inteligência para existir. Será um sonho? No fim do livro de Lewis Carroll, Alice desperta e ficamos com a sensação de que tudo foi apenas um sonho. Mas as palavras do Chapeleiro continuam pertinentes: e quem decidiu o que é o quê?

CONTACT
Xana Abreu

“Pinto-me na pele de outras mulheres.

"I paint myself in the skin of other women"